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domingo, julho 13, 2008

Hoje já corri 7 km ...

À semelhança da maioria dos que à data eram nascidos, a magnífica vitória de Carlos Lopes na prova da Maratona é a primeira memória que guardo dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984.

Há, no entanto, uma outra memória que guardo mas relativamente à maratona feminina das mesmas Olimpíadas, que foi disputada debaixo de um calor infernal, e em que a suíça Gabriele Andersen-Scheiss, já perto do final, estava no limiar da exaustão, completamente esgotada e sem uma réstia de energia que lhe permitisse continuar. No entanto, aquele farrapo humano continuava a cambalear pela pista fora, contorcendo-se a cada passada, dividindo os últimos resquícios de energia para simultaneamente se arrastar penosamente pela pista fora e enxotar quem se aproximava na tentativa de a ajudar. Quando finalmente conseguiu cruzar a linha de chegada, todo o estádio se levantou para efusivamente a aplaudir.

Lembro-me também de uma prova de corta mato em que o campeão António Pinto (3 vitórias, 1 segundo lugar e 3 terceiros, nas sete participações da Maratona de Londres), apesar de favorito à vitória chegou em vigésimo lugar. Quando interpelado pelo jornalista, que lhe perguntou porque é que não desistiu, na medida em que toda a gente viu que ele fez o último quilómetro a mancar; ele retorquiu que apesar da entorse e das dores horríveis, nunca equacionou desistir, porque nunca o tinha feito e sabia que a partir do momento em que o fizesse uma primeira vez, iria passar a fazê-lo com naturalidade.

Isto tudo a propósito de mais uma desistência da jardela, que hoje tentava os mínimos para os Jogos Olímpicos de Pequim, mas que quando se apercebeu que o tempo não ia ser suficiente, desistiu, como aliás fez várias vezes ao longo da carreira. Sempre soube ganhar, mas nunca perder.