domingo, setembro 04, 2005

Os Homens da Moquinha

Havia um pequeno bar que ficava por baixo das bancadas e que tanto podia fechar à meia-noite como às duas da manhã. Nessa altura éramos estudantes ou pouco mais, e lá a cerveja era barata.

Entrava-se por uma porta-homem que estava sempre convenientemente encostada, dando a quem passava na rua a sensação de estar fechada. O compromisso era precisamente esse: o de deixar a porta tal como a encontrávamos.

Uma vez transposto o portão havia que percorrer a bancada e, na escuridão, procurar a abertura que nos levaria às entranhas deste estranho edifício. Havia o balneário da casa, o dos visitantes e o dos árbitros. A meio era o bar e do lado direito a sala de troféus.

Se era dia de treino de hóquei-em-campo, pegava cada um na sua cerveja, fazíamos o percurso inverso e sentávamo-nos na bancada da imprensa a ver os homens da moquinha, como nós lhes chamávamos. De Inverno, a chover torrencialmente, com os holofotes acesos praí a 20%, digo-vos que assistir àqueles treinos era algo memorável. Lá ficávamos, muitas vezes com o olhar entorpecido, a tentar adivinhar a posição da bola apenas pelo bailado daquelas figuras cobertas de lama e não tínhamos sequer a pretensão de alguma vez conseguir efectivamente ver o esférico.

No fim do treino, quando já nos encontrávamos novamente no bar para um reabastecimento, apareciam os homens da moquinha para beber o compal e comer a sandes de queijo. Se o treinador se demorava por lá, ia cada um à sua vida. Se o treinador desamparava a loja, havia sempre alguns homens da moquinha que transitavam para a branca fresca.

5 comentários:

Mendes Ferreira disse...

olá....:)

Pinto Ribeiro disse...

BOM DIA KAMARADA...andas xatiado comigo?...

Eric Blair disse...

Olá amigos. Chateado com ninguém. Ultimamente tenho-me ligado 5-10 min à net. É só isso.

Zé do Telhado disse...

Também me recordo de entrar lá por volta das 22 e ver a bancada meia composta.
- Vai haver algum jogo?
- Não, estão à espera do dealer.

Eric Blair disse...

Não me enterres que não era para isso que eu lá ia.
E, aliás, no tempo a que se referem estas recordações isso não existia seguramente.
Agora percebo a decadência...